Da Embaixada
Da Embaixada
 

Fim da presepada

 

O selo é de 2007, mas parece milênios. Do lado direito, a presidente

da Corte, Vilma Morales.

 

Esta segunda despedida é também a última: este blog chega ao fim junto com a cobertura da crise hondurenha. Foram 72 dias no país, dos quais 42 dentro da embaixada e apenas dez de descanso na linda Utila.

Como na primeira despedida agradeci à comunidade da embaixada e seu entorno, desta o meu muito, muito obrigado vai para a confraria dos leitores, principalmente aos que escreveram os comentários, enriquecendo o blog e a cobertura em geral. Vou sentir muita falta dos tapas e beijos.

 E gracias a Andrea Murta, colega da Folha que, meio que involuntariamente, deu o nome ao blog, e gracias a Cris Castro, também colega, por todo o apoio técnico e moral.

Se este blog teve um lado positivo, foi o de aproximar brasileiros e hondurenhos.Não é nada, não é nada, mas acho que nunca antes nos 102 anos de história diplomática dos dois países houve um espaço tão amplo de contato bilateral como aqui. Já temos especialistas brasileiros em Constituição hondurenha! E se os contatos aqui resultarem em casamento, quero ser padrinho!

Termino o último post com fotos de um presépio (daí o título acima) montado no shopping Multiplaza, de Tegucigalpa, o mais elegante de Tegucigalpa. É obra do arquiteto Fernando Martinez, que, segundo me contaram, foi embaixador de Honduras em Brasília. Quem está em Tegus e ainda não viu, vá! Fica aberto das 13h às 18h.

E também tem uns selos postais de Honduras, no começo e no final.

Enquanto escrevo, viajo de ônibus até a Nicarágua, onde há várias boas histórias para contar. Mas já não serão aqui. Gostei da experiência de blogueiro, mas ainda tenho dúvidas sobre a compatibilidade com o meu ofício primeiro, o de repórter. Ainda mais na polarizada Venezuela.

De novo, muito obrigado.

 

 

No dia 25 de junho, Zelaya e seguidores "resgatam" as urnas para a consulta

constitucional em báse aérea


A prisão de Zelaya, quando é despachado a Costa Rica em pijamas


Micheletti toma posse no Congresso.


O trágico 5 de julho, quando Zelaya tentou voltar de avião ao país. Na

confusão, um jovem morreu com um tiro na cabeça

 

Obama vs. Chávez, com Zelaya ao fundo


Pepe vence (há um lobinho no carro) e comemora com os smurfs azuis.


Embaixada, vista panorâmica.


Zelaya, o caubói de Toy Story.



Esse selo foi lançado pelo próprio Miche na quinta, um dia depois da votação

no Congresso. Duvido que imprimiram na madrugada...

Escrito por Fabiano Maisonnave às 23h02

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Fim da votação no Congresso: 111 a 14

Por 111 a 14 votos, o Congresso decidiu que Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho, e há 74 dias encerrado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, não será mais restituído. Acabou.  

Escrito por Fabiano Maisonnave às 01h36

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Urgente: Zelaya, o novo ex-presidente

A sessão continua, mas os votos contrários a Manuel Zelaya já atingiram a maioria simples de 65 votos. Está fechado o último caminho para a sua volta ao Executivo.

Atualização: pouco depois das 20h aqui (meia-noite em Brasília), e a votação é abrumadora: 78 a 10.

Escrito por Fabiano Maisonnave às 20h33

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Bancada do Partido Nacional votará contra Zelaya

O chefe da bancada, Rodolfo Irias Navas, acaba de anunciar que os 55 dos 128 deputados do Partido Nacional votarão contra a restituição de Manuel Zelaya. A não ser que haja uma quase impossível rebelião liberal, o destino do presidente deposto já está selado.

Escrito por Fabiano Maisonnave às 19h14

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De dentro do Congresso

Daqui a pouco, os deputados devem votar a restituição. Aqui dentro da plenária, o início de sessão começou com o Hino Nacional e uma oração _alguns parlamentares se deram as mãos. Antes, os dois telões instalados mostraram um vídeo contrário a Zelaya, resumindo as acusações contra ele. O prédio está cheio de jornalistas e câmeras do lado de dentro e cercado por dezenas de policiais armados com rifles e gás lacrimogêneo do lado de fora. O protesto pró-Zelaya, com apenas algumas dezenas de manifestantes, está a uma quadra e meia daqui.

Abaixo, a minha credencial. Eu juro que escrevi Folha de S.Paulo!

Escrito por Fabiano Maisonnave às 17h17

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Última parcial da enquete: Zelaya não volta

Para 85% dos leitores deste blog, Manuel Zelaya já é ex-presidente. Daqui a pouco, começa a sessão para decidir a sua restituição _este blogueiro lhes escreve de dentro do Congresso.

Se alguém ainda não votou, clique aqui.

Escrito por Fabiano Maisonnave às 16h04

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As eleições de domingo

Com a camisa do Rivaldo, o carpinteiro Misael Cruz, 32, vota na escola Simon Bolívar.

Mergulhada na crise política em Honduras, a eleição presidencial era o capítulo mais previsível: com o Partido Liberal em frangalhos, ficou fácil para o candidato conservador Porfirio "Pepe" Lobo, do Partido Nacional (PN).

Estive na comemoração de Lobo, no domingo à noite. Foi no hotel Maya, um dos mais luxuosos de Tegucigalpa. A certeza da vitória era tanta que os jornalistas já estávamos com as credenciais prontas desde a sexta-feira _era um crachazinho com o slogan da campanha de Lobo.

Se o comício reuniu um montão de gente pobre em busca de camisetas e outros presentes, o discurso da vitória de Lobo foi para os seus pares: estavam lá apenas algumas centenas de simpatizantes de classe média, que nem sequer lotaram o amplo salão com ar condicionado onde a festa foi montada.

O presidente eleito (agora Honduras tem três: o eleito, o deposto e o interino) fez um discurso parecido ao da campanha: falou em "unir a família hondurenha" e "olhar para frente" e, como sempre, evitou falar diretamente sobre crise. Estratégia, diga-se, adotada também pelo seu principal opositor.

Para um observador estrangeiro, parece incrível que a campanha presidencial tenha evitado debater a crise política. No caso de Lobo, as suas principais promessas foram distribuir 1 milhão de computadores portáteis a estudantes pobres _alguns já distribuídos durante a campanha! _ e uma versão local do Bolsa Família, além de melhorar a segurança pública.

Foto retirada do site oficial de Lobo mostrando crianças que receberam computadores portatéis durante campanha.

 

É certo que desde antes da deposição de Zelaya, em 28 de junho, Lobo já era o favorito. Ou seja, a favor dos que defendem a eleição, toda a crise política praticamente não alterou a sucessão presidencial. Dos seis candidatos iniciais, apenas um renunciou, e o mais identificado com Zelaya, Cesar Ham, acabou participando, num grande revés para o presidente deposto.

Mas a eleição foi também para parlamentares e prefeitos. E com crise ou sem crise, há muito pouco espaço fora do bipartidarismo. O espectro político hondurenho é muito pequeno e à direita, e os meses de polarização isolaram ainda mais a esquerda, vítima da demonização feita pelos meios de comunicação e também de si mesma, ao se dividir sobre a estratégia para a eleição. O resultado é que a sua representação e peso política formal deverá ficar ainda menor do que já é nas cidades e no Parlamento. Um grande contraste com a nova visibilidade com a campanha pela volta de Zelaya e em favor de uma nova Constituição.

Sobre o dia das eleições: percorri cinco centros eleitorais durante a manhã, onde o movimento era mais ou menos constante. Com a informação disponível até agora, não é possível dizer se os números do TSE são ou não plausíveis _a apuração ainda não está concluída. Mas, em nenhum lugar, havia muito entusiasmo, tudo pareceu demasiado burocrático, em um grande contraste com a crise política.

Em San Pedro Sula, a única manifestação contrária à eleição foi reprimida de forma desproporcional pela polícia, segundo meus colegas que lá estiveram _um deles, o Herbert, da Reuters, voltou com sete pontos na cabeça.

Não cabe a mim dizer se as eleições foram legítimas. Mas a minha impressão é a de que não estavam à altura dos acontecimentos.

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 12h36

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Os meios de comunicação em Honduras, segundo RSF

Prometo para mais tarde as minhas impressões sobre a jornada eleitoral. Antes, reproduzo abaixo a avaliação da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Antes que já acusem a organização de esquerdista, lulista e outros carimbos, é bom lembrar que a RSF já foi chamada infinitas vezes de "agente do império" e outros impropérios por Hugo Chávez e cia. E a reprodução aqui não significa que eu assino embaixo, mas que se trata de uma análise respeitável. 

Elecciones sin democracia

 Desde el golpe de Estado cívico militar del 28 de junio contra el gobierno democrático de Manuel Zelaya, Honduras se ha hundido en la peor crisis política que Centroamérica ha visto en años. El 29 de noviembre del 2009, Honduras celebrará elecciones generales bajo condiciones que no muestran de ninguna forma una verdedera democracia. Presentadas por Micheletti, el presidente de facto, como solución al conflicto, las elecciones sin embargo no serán reconocidas por los gobiernos latinomaericanos, la OEA, la Unión Europea y otros representantes de la comunidad. Al respecto los medios y el Estado presentan a la sociedad hondureña información sobre 300 observadores internacionales de diversos países de la comunidad internacional haciendo ver que si se tiene el respaldo esperado al proceso electoral.
 
En el contexto de elecciones, los medios de comunicación juegan un papel central para garantizar que la sociedad cuente con información veraz, clara y oportuna. En Honduras no obstante, el contexto actual es completamente al reverso. Desde el 28 de junio, al menos 127 casos de violaciones a la libre expresión se han registrado. Las agresiones van desde cierre temporal de medios de comunicación, atentados, amenazas, cancelación y censura a programas de radios y televisión, hasta el despedido y detenciones ilegales de periodistas.
 
Del 1 al 7 de noviembre de 2009, una misión para la libertad de prensa y expresión – compuesta por siete organizaciones internacionales – visitó Honduras para analizar la situación de los periodistas y medios de comunicación.
 
En un ambiente de polarización mediática extrema, visible en otros lugares de Latinoamérica, el golpe de Estado hondureño reveló como nunca la subordinación del paisaje mediático a una oligarquía que domina totalmente a la clase política y defiende únicamente sus propios intereses. En Honduras en 2008 se registraban 691 estaciones radiales, 169 canales de televisón y 142  señales de televisión por abonados. No obstante esta cantidad de medios, son sólo seís familias las que controlan los 10 principales, cuyos propietarios pertenecen en su mayoría a un sólo partido político.
 
La actividad de los periodistas de cara a las elecciones y la coyuntura política se ha tornado de alto riesgo, ya que al menos 31 periodistas han sido lesionados por la autoridad y los manifestantes durante su cobertura informativa.
 
La Misión internacional tuvo que abandonar su idea de reunir a periodistas locales para buscar la reconciliación y el compromiso de todos con la democracia dado que constataron una gran polarización entre la prensa y periodistas. A nivel de los medios de comunicación se produce una realidad dolorosa vinculada a la participación de las empresas del sector en forma voluntaria al bloqueo informativo impuesto por el regimen de facto. De cara a las elecciones, los medios opositores al régimen que preside Micheletti, corren un alto riesgo en esto proceso electoral.
 
El desbalance mediático es un dato duro previo al 28 de junio, que alentó el clima de ingobernabilidad[1] en Honduras. La censura y autocensura comprometen al sistema de medios en su conjunto, considerando los tres sectores, privado, público, social-comunitario, en los soportes escritos, radiales, televisivos y digital.
 
Las primeras acciones de censura por parte del gobierno de facto se hicieron a través del cierre y asalto de medios, amedrentamiento, golpizas y detenciones arbitrarias a periodistas, expulsión de corresponsales extranjeros, complementado con utilización de mecanismos de guerra sucia y amenazas.
 
La censura también opera de manera indirecta mediante el uso indiscriminado de mecanismos de control sobre Internet y sobre la distribución de energía eléctrica, aplicación arbitraria del sistema de concesiones de frecuencias de radio y televisión, cadudación de campañas públicas a medios no partidarios al golpe.
 
La autocensura es oblicua y oculta, opera sobre un clima de miedo, muchas veces de terror. En el primer período de toma del poder, la estrategia de los grandes medios fue no informar: dibujos animados, marchas militares y música ambiental en las estaciones de radio y televisión de la corriente principal.
 
En entrevista con editores y periodistas de un diario que sigue buscando un equilibrio editorial, sostienen: “A veces nos autocensuramos presionados por la publicidad. Quisiéramos decir más de lo que podemos....producir más información dura y concatenar los hechos, un mayor desarrollo del género interpretativo. En la editorial damos a conocer nuestra posición de rechazo al golpe de estado, pero no es suficiente”. A juicio de estos profesionales el discurso mediático no vincula libertad de prensa, de expresión y democracia. Las autoridades niegan a este periódico el acceso a fuentes gubernamentales, no les renuevan credenciales, exacerbando el secretismo informativo.
 
Representantes de radios comunitarias expresaron ante la Misión que “no podemos difundir mensajes que llamen a la abstención en las elecciones, porque el precio será que el estado nos quita la frecuencia”.
 
La libertad de prensa en Honduras, mucho antes del golpe, se ejerce en un entorno adverso y en condiciones de inseguridad, pero la actual crisis política ha venido a recrudecer las amenazas y riesgo que enfrentan quienes ejercen el derecho a la libertad de expresión a través de los medios de comunicación. Las múltiples presiones provenientes de las dos partes del conflicto político para influenciar las líneas editoriales, incluyendo agresiones físicas a trabajadoras y trabajadores, son la característica distintiva del escenario prevaleciente para la prensa en Honduras.
 
La Misión pudo recoger testimonios que dan cuenta de un cúmulo de situaciones y actos que producen un contexto de incertidumbre, el cual se traduce en violaciones directas e indirectas de los derechos humanos de quienes ejercen la libertad de prensa y el derecho a comunicar.
 
La cobertura de las protestas a favor o en contra de la restitución del Presidente Manuel Zelaya presenta un grave riesgo. Diversas organizaciones y organismos regionales de derechos humanos, dieron cuenta de las agresiones de las que fueron objeto reporteros y camarógrafos de medios tanto nacionales como extranjeros durante los meses inmediatos al golpe de Estado. Sin embargo, la Misión pudo constatar el grado de vulnerabilidad que enfrentan quienes dan cobertura a la represión de las protestas por parte de la policía.

Los medios de comunicación, no sólo han sido un reflejo de la polarización política de la sociedad a partir del 28 de junio, sino que también se han erigido como promotores o detractores activos de la misma, ocasionando que la información objetiva sea escasa. Diversos testimonios apuntan hacia la existencia de “listas negras de periodistas”, elaboradas tanto por supuestos partidarios a favor de la restitución de Miguel Zelaya como de quienes apoyan el gobierno encabezado por Roberto Micheletti, las cuales circulan en Internet y han ido produciendo una sensación de incertidumbre entre el gremio periodístico.

La Misión pudo constatar que como medida de autoprotección algunos de los medios identificados con el Gobierno de facto, han decidido  que sus periodistas y vehículos, no porten una identificación visible durante la cobertura de protestas y eventos públicos. Mientras tanto, los periodistas y medios de comunicación críticos se ven obligados a arriesgarse a administrar el riesgo que enfrentan mediante la autocensura, la adopción de medidas rudimentarias de autoprotección, y evitando trasgredir los límites no escritos a la crítica y posturas de oposición. 

Es claro que la incertidumbre además obstaculiza la labor periodística, presenta graves amenazas en contra de la integridad física de las y los periodistas. 

Durante la visita de la Misión, los medios de comunicación informaron el 5 de noviembre sobre la detonación de un artefacto explosivo en las instalaciones de la radiodifusora HRN. Estos hechos se suman a la lista de ataques en contra de instalaciones de medios de comunicación: Canal 36  y Radio Globo (23 de agosto); Canal 11 (6 de julio), El Heraldo (15 de agosto). Sin embargo, hay que destacar que por primera vez hubo una persona lesionada en la explosión en las instalaciones del HRN. Las más recientes detonaciones de un artefacto explosivo se dieron en las instalaciones de Canal 10 (24 de noviembre) y Radio América (27 de noviembre). 

A pesar de esta situación, ninguno de las empresas de comunicación ha ofrecido algún tipo de entrenamiento en seguridad para sus empleados y empleadas. Esta situación se agrava en el caso de las radios comunitarias, indígenas y medios de comunicación basados en Internet, ya que su operación se encuentra de por sí limitada por la falta de recursos económicos y materiales. La mayoría de las y los periodistas optan por la autocensura al ser la única medida de protección disponible.

Otro factor que afecta de manera determinante en las condiciones de seguridad de periodistas y medios de comunicación en Honduras, es la impunidad generalizada en los casos de agresiones, tanto en aquellos que tuvieron lugar antes del golpe de Estado como aquellos perpetrados durante los últimos meses. Esta situación ha promovido un sensación de incertidumbre e indefensión entre el gremio periodístico y quienes ejercer la libertad de prensa en el país.

Para los integrantes de la Misión, las condiciones para elecciones libres y justas claramente no se cumplen tampoco en este momento. La libre y segura expresión de opiniones políticas disidentes está limitada o es difícil y el acceso a los medios está basado en la fidelidad política. Estos restringen severamente la oportunidad de tener candidatos independientes para hacer campañas y expresar sus ideas. La existencia de una ciudadanía bien informada simplemente no está presente en este momento en Honduras.

Bajo la actual situación de censura, polarización y parcialidad de los medios, amenazas endémicas o violencia, las elecciones no se consideran libres y justas. 

La Misión Internacional visitó 4 ciudades, en donde tuvo la oportunidad de celebrar un total de 22 reuniones con grupos de periodistas y editores y 4 con organizaciones de libertad de prensa, libertad de expresión y los derechos humanos. Esto permitió obtener el  panorama general que rodea el ejercicio de la libertad de prensa en el país.

El diagnóstico obtenido por la Misión es grave e inquietante, aunque fundamental para comprender el fenómeno que se vive en Honduras y mostró la necesidad de que la Misión regrese al país en el año 2010, como parte de los trabajos que se han planteado desarrollar.

En Honduras todavía no existe vinculación entre libertad de expresión, libertad de prensa y democracia. La ciudadanía esta afectada de un fuerte estrés por la crisis política. Y los medios no han sido capaces de contener este daño social.

(...)

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 23h03

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Honduras, o país mais violento da AL

Além dos enormes estragos provocados na educação, a crise política em Honduras também prejudica um dos principais problemas do país, a violência fora de controle.

Ontem, estive nas Nações Unidas para entrevistar o italiano Luca Renda, representante do PNUD em Honduras, e o colombiano Rafael Espinosa, especialista em prevenção de segurança.

Foi daquelas conversas de abrir os olhos. De posse de vários números oficiais, os dois fizeram uma análise sombria do problema da violência no país _Renda chega a advertir de que o país corre o risco de se transformar num "narcoestado". Parte do relato dos dois está em reportagem publicada hoje na Folha (só para assinantes agora, sorry). Aqui estão alguns dados que dimensionam melhor o problema:

  • Honduras é o país mais violento da América Latina, com uma taxa de homicídios de 58 por 100 mil habitantes. E essa taxa só cresce: em 2008, ainda no governo Manuel Zelaya, o aumento foi de 25% em relação ao ano anterior, com 4.473 homicídios. Neste ano, deve subir cerca de 9%
  • A polícia está cada vez mais letal: em 2008, houve 54 mortes registradas em enfrentamentos. Neste ano, até setembro, já houve 80 mortes.
  • A impunidade é quase total. A polícia, em média, só apurava 30% das denúncias. Com a crise, a operatividade caiu 40% . Exemplo: em La Ceiba, terceira cidade do país, só 8 de 5.800 denúncias foram apuradas.
  • Honduras é um país armado e com uma legislação frouxa sobre o assunto. Uma pessoa pode ter até cinco armas, e uma nota fiscal basta para demonstrar que ela é legal. Estima-se que haja 800 mil armas em circulação.
  • O registro de armas é precaríssimo. Até mesmo as da polícia: apenas 30% estão regularizadas.
  • A segurança está privatizada: há apenas 12 mil policias, enquanto as empresas de segurança têm 60 mil homens
  • O país é um grande corredor para o narcotráfico e vive um surto de chegada avionetas venezuelanas carregadas de cocaína colombiana rumo ao Norte. E tem poucos recursos técnicos para combater _não possui capacidade, por exemplo, de interceptar voos noturnos. A infiltração na política e nos órgão do Estado é cada vez maior e fica impune.
  • Não há um serviço de proteção a testemunhas eficaz.
  • Os funcionários do Estado, como promotores e policiais, se sentem inseguros e desprotegidos.
  • O sistema penitenciário é corrupto e violento.

 

A crise política jogou a crise na segurança pública para baixo na escala de prioridades. Também deve ocorrer o mesmo quando chegar o novo governo. O narcotráfico agradece.

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 13h32

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O triste encerramento de campanha de Pepe

Uma idosa e uma criança disputam com adultos camiseta da campanha de Pepe Lobo, com os dizeres "Primero los pobres"

Em meio a uma das piores crises políticas de Honduras e da América Latina nos últimos anos, o encerramento da campanha eleitoral do provável vencedor da eleição presidencial deste domingo, Porfirio Pepe Lobo, não esteve à altura do dramático momento histórico.

De estilo pra lá de tradicional, o showmício foi realizado na noite de segunda-feira, num campo de beisebol de Tegucigalpa. Desde o começo, repetiu o triste roteiro de transporte de eleitores, distribuição de brindes (camisetas, mochilas escolares e bolas de futebol), shows apelativos e discursos vazios.

Entre os alguns milhares de simpatizantes presentes, chamava a atenção as dezenas de crianças muito pequenas, muitas segurando cartazes bem maiores do que elas, algumas de colo. Pelo menos um grupo delas foi para lá porque só assim ganhariam mochilas escolares novas, além, é claro, das camisetas de Pepe.

O mais incrível é que as mochilas só serão usadas em fevereiro, já que as crianças e adolescentes da rede pública foram dispensados um mês antes, devido à crise política _desde meados de outubro, deixaram de estudar. E sem exame: todos os 1,8 milhão de alunos da rede pública foram automaticamente aprovados para o seguinte ano escolar.

Para piorar, a rede pública acumulou cerca de três meses de greves de professores neste ano, muitos vezes em apoio a Manuel Zelaya.

"Esses meninos não sabem nada", diz a avó Olga Maria Raudales, que foi com a filha e dois netos, de 8 e 7 anos, ao comício. "Tem da sexta série [12 anos] que não sabe nem escrever o nome.

Os netos de Olga. Ela aparece no fundo, segurando as mochilas.

Se a escola deixou de educar as crianças pobres hondurenhas, as que estiveram no comício de Pepe Lobo não receberam ali nenhum show de civismo. Pelo contrário.

Elas testemunharam, por exemplo, os adultos se empurrando e brigando para conseguir camisetas. E, no palco viram mulheres em minissaias simulando sexo com suas duplas enquanto as letras falavam explicita e machistamente em sexo, típicas dessa versão caribenha do funk carioca chamada reggaeton.

Mas teve gente que não viu nada de bailarinas nem escutou os candidatos. A catadora de lata Isabel Sirinos, 48, passou todo o tempo com os olhos no chão, procurando pedaços de madeira que mais tarde seriam usados como lenha em sua casa. Mãe de nove e avó de seis, diz que o desemprego é generalizado em sua família. O seu filho mais velho, de 34, sobrevive como carregador na feira, mas não recebe salário: o pagamento é feito com verduras e resto de frango. Ela diz que votará em Pepe e culpa Zelaya pela crise econômica do país.

Com grandes possibilidades de assumir o terceiro país mais pobre das Américas, isolado internacionalmente e afundado numa crise política, Pepe Lobo encerrou a campanha com o seu discurso de centro, recheado de ideias vagas. Falou em "mudança", em priorizar a "pessoa humana"(sic), em trabalho, em mais segurança, em melhorar hospitais, em apoio à agricultura, sempre entrecortado pelo jingle da campanha, "já falta pouco".

Na única vez em que foi mais específico, ao prometer acabar com a greve de professores, foi também a única vez em que ouviu aplausos entusiasmados. "Os professores vão honrar pontualmente as suas obrigações, que são aulas a nossos filhos e jovens", assegurou.

De perfil conservador, Pepe Lobo tem algumas semelhanças com Zelaya, de quem perdeu por pouco na eleição presidencial de 2005, quando chegou a defender a pena de morte. Assim como o presidente deposto, é do departamento agrícola de Olancho e de tradicional família de latifundiários.

Em junho, Pepe Lobo e seu partido apoiaram a destituição de Zelaya. Com o tempo, passou a se afastar do governo interino, de olho nas pesquisas que mostravam um rechaço a Roberto Micheletti e à expulsão do presidente deposto.

Com a briga interna dos liberais _Micheletti e Zelaya são do mesmo partido_, Pepe Lobo viajou em céu de brigadeiro durante a campanha eleitoral e assistiu de arquibancada o desgaste de seus adversários políticos. Resta ver, num futuro próximo, se essa mesma crise que o beneficiou eleitoralmente não inviabilizará seu eventual governo.

Saí do comicio deprimido. 

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 01h21

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Breve análise dos próximos dias

Caros, um pequeno resumo da ópera neste podcast:

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 16h13

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Um país militarizado

A presença ostensiva de militares não é privilégio das vizinhanças da embaixada brasileira. Desde que saí, me chamou a atenção a quantidade de soldados nos aeroportos e em diversos outros lugares públicos. Antes, a minha impressão é de que havia mais policiais do que tropas.

Hoje de manhã, sábado, muita gente que entrava no badalado shopping Multiplaza, um dos mais elegantes da cidade, levou um susto quando cerca de 20 militares entraram em formação no prédio. Mais um ataque a bomba?

Claro, fui atrás para ver o que era. O motivo era prosaico: todos haviam ido a um banco local receber o salário, formando uma fila enorme e fora do lugar no piso térreo (foto acima). Embora eles estavam desarmados, pelo menos três militares com enormes fuzis faziam a segurança dos colegas (foto abaixo, diante de uma loja de roupas infantis).

Alguém já disse certa vez que, quanto mais militares aparecem nas ruas, mais atrasado está o país. Se a regra for verdadeira...

PS: a qualidade de fotos não é boa porque o shopping só permite fazer imagens como autorização, regra que também costuma ocorrer no Brasil. Como se shopping já não fosse, há muito tempo, espaço público. Infelizmente, diga-se.

Escrito por Fabiano Maisonnave às 18h44

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Repreçao ao espanhol em Honduras

Com o ramerrame da crise hondurenha nas últimas semanas, os comunicados de Manuel Zelaya deixaram de chamar a atenção menos pelo conteúdo repetitivo e mais pelos seguidos atentados cometidos contra a língua de Cervantes.

Até para mim, que não sou versado em espanhol, os erros saltam aos olhos. No comunicado da quarta-feira, lê-se, logo no início: "Millares de hondureños estamos bajo reprecion", quando o correto é represión. Se é possível traduzir o erro, seria o mesmo que escrever "repreçao".

O curioso é que, desde esta semana, os comunicados passaram a incluir "Presidencia de la Republica" e "Del Escritorio De Señor Presidente" (outro erro!! É "del Señor Presidente). O "escritório", claro, é a embaixada brasileira.

Para confirmar as minhas suspeitas, pedi que duas amigas conhecedoras do espanhol lessem o comunicado do dia 18 e uma carta enviada no início da semana ao presidente americano, Barack Obama. Yolanda Ojeda, calejada jornalista venezuelana, diz que sobram erros de sintaxe, concordância numeral e de acentuação e que não se padroniza o uso de caixa alta. Já Olguimar Cruz, experimentada tradutora porto-riquenha, diz que os textos "têm muita informação redundante. Repetem-se as ideias de forma parecida a um rascunho. Parece que Zelaya escreveu com pressa."

É claro que Zelaya não está nas condições mais favoráveis para produzir um bom texto. Há dois meses hoje na embaixada, tem apenas dois assessores ao seu lado, dos quais nenhum é jornalista. Mas não custa nada mandar por e-mail os textos a alguém de confiança antes de sua divulgação. Ainda mais quando o endereço do destinatário é a Casa Branca. Coitado do tradutor.


 

 

 

Escrito por Fabiano Maisonnave às 18h28

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O consulado brasileiro em Utila

Inaugurando a fase de fora da embaixada, este blog volta com um post de turismo. É que, depois dos dias de encerro, este escriba foi se recuperar em cantos mais agradáveis de Honduras: a pequena ilha caribenha de Utila.

Praticamente desconhecida dos brasileiros, trata-se de um porção de terra a 29 km da costa com apenas 2.500 habitantes e 11 km de comprimento, toda cercada de corais. Ninguém vai ali em busca de praia. O negócio ali é mergulhar.

Com menos infra que a vizinha Roatán, maior e controlada pelo turismo gringo, Utila se diferencia pelo custo baixo de seus cursos de mergulho, provavelmente os mais baratos do mundo. O treinamento básico, com certificado internacional, custa cerca de R$ 400 _em São Paulo, gira em torno dos R$ 1.000.

Outra característica da ilha é que quase todos falam inglês como a primeira língua. Utila já pertenceu aos ingleses e ainda abriga vários descendentes que, misturados à população africana, reconstruíram a língua de Shakespeare numa versão mais cantada e quase incompreensível.

A combinação de preços baixos e inglês fez com que Utila se transformasse em destino obrigatório para mochileiros que cruzam a América Central. Nos dias em que estive lá, predominavam israelenses, escandinavos e irlandeses. Muitos acabam ficando, para trabalhar como instrutores nas escolas de mergulho ou nos bares da ilha.

Talvez pelo tanto de tempo na embaixada, tratei logo de encontrar uma bandeirinha brasileira. Encontrei na escola de mergulho Parrots Dive Center. Atrás dela, a simpática, atenciosa e competente Tatiana Jijon. Filha de uma cearense de Crateús com um diplomata equatoriano, ela é cidadão do mundo (fala cinco línguas), mas há 11 anos foi conhecer a ilha e nunca mais saiu _deixou para trás até o curso universitário em Paris. Melhor anfitriã, impossível.

Grávida de dois meses, está casada com Alfred, hondurenho de Utila que mais parece um pirata. Tocam juntos a escola há cerca de dois anos, atraindo principalmente mochileiros. Quase nenhum do Brasil, diz Tatiana _fui o primeiro com quem ela topou em sete meses. 

Com um português um pouquinho enferrujado, Tatiana conta que a crise política tem provocado estragos na ilha: alguns bares e escolas já tiveram de fechar as portas. O melhor exemplo é a Sunjam, festa anual que costuma atrair cerca de 3.000 pessoas em agosto. Neste ano, apareceram apenas 900.

Mas eu não estava muito atrás de fazer reportagem, não. Fui à ilha para ignorar a crise. Por isso, me fiz acreditar que as dezenas e dezenas de bandeirinhas vermelhas e brancas do Partido Liberal (Utila também terá eleição para prefeito no dia 29) fossem na verdade uma versão local da bandeirinha que indica escolas e pontos de mergulho.

Micheletti e Zelaya, a partir dos próximos posts.

Partido Liberal

Bandeira de mergulho

Escrito por Fabiano Maisonnave às 12h31

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Aviso aos navegantes

Este blog retornará na quinta-feira, dia 19. Até lá.

Escrito por Fabiano Maisonnave às 18h16

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Fabiano Maisonnave Fabiano Maisonnave, 34, é correspondente da Folha de S.Paulo na Venezuela.

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