O triste encerramento de campanha de Pepe
Uma idosa e uma criança disputam com adultos camiseta da campanha de Pepe Lobo, com os dizeres "Primero los pobres" Em meio a uma das piores crises políticas de Honduras e da América Latina nos últimos anos, o encerramento da campanha eleitoral do provável vencedor da eleição presidencial deste domingo, Porfirio Pepe Lobo, não esteve à altura do dramático momento histórico. De estilo pra lá de tradicional, o showmício foi realizado na noite de segunda-feira, num campo de beisebol de Tegucigalpa. Desde o começo, repetiu o triste roteiro de transporte de eleitores, distribuição de brindes (camisetas, mochilas escolares e bolas de futebol), shows apelativos e discursos vazios. Entre os alguns milhares de simpatizantes presentes, chamava a atenção as dezenas de crianças muito pequenas, muitas segurando cartazes bem maiores do que elas, algumas de colo. Pelo menos um grupo delas foi para lá porque só assim ganhariam mochilas escolares novas, além, é claro, das camisetas de Pepe. O mais incrível é que as mochilas só serão usadas em fevereiro, já que as crianças e adolescentes da rede pública foram dispensados um mês antes, devido à crise política _desde meados de outubro, deixaram de estudar. E sem exame: todos os 1,8 milhão de alunos da rede pública foram automaticamente aprovados para o seguinte ano escolar. Para piorar, a rede pública acumulou cerca de três meses de greves de professores neste ano, muitos vezes em apoio a Manuel Zelaya. "Esses meninos não sabem nada", diz a avó Olga Maria Raudales, que foi com a filha e dois netos, de 8 e 7 anos, ao comício. "Tem da sexta série [12 anos] que não sabe nem escrever o nome.

Os netos de Olga. Ela aparece no fundo, segurando as mochilas.
Se a escola deixou de educar as crianças pobres hondurenhas, as que estiveram no comício de Pepe Lobo não receberam ali nenhum show de civismo. Pelo contrário.
Elas testemunharam, por exemplo, os adultos se empurrando e brigando para conseguir camisetas. E, no palco viram mulheres em minissaias simulando sexo com suas duplas enquanto as letras falavam explicita e machistamente em sexo, típicas dessa versão caribenha do funk carioca chamada reggaeton.

Mas teve gente que não viu nada de bailarinas nem escutou os candidatos. A catadora de lata Isabel Sirinos, 48, passou todo o tempo com os olhos no chão, procurando pedaços de madeira que mais tarde seriam usados como lenha em sua casa. Mãe de nove e avó de seis, diz que o desemprego é generalizado em sua família. O seu filho mais velho, de 34, sobrevive como carregador na feira, mas não recebe salário: o pagamento é feito com verduras e resto de frango. Ela diz que votará em Pepe e culpa Zelaya pela crise econômica do país.

Com grandes possibilidades de assumir o terceiro país mais pobre das Américas, isolado internacionalmente e afundado numa crise política, Pepe Lobo encerrou a campanha com o seu discurso de centro, recheado de ideias vagas. Falou em "mudança", em priorizar a "pessoa humana"(sic), em trabalho, em mais segurança, em melhorar hospitais, em apoio à agricultura, sempre entrecortado pelo jingle da campanha, "já falta pouco".
Na única vez em que foi mais específico, ao prometer acabar com a greve de professores, foi também a única vez em que ouviu aplausos entusiasmados. "Os professores vão honrar pontualmente as suas obrigações, que são aulas a nossos filhos e jovens", assegurou.
De perfil conservador, Pepe Lobo tem algumas semelhanças com Zelaya, de quem perdeu por pouco na eleição presidencial de 2005, quando chegou a defender a pena de morte. Assim como o presidente deposto, é do departamento agrícola de Olancho e de tradicional família de latifundiários.
Em junho, Pepe Lobo e seu partido apoiaram a destituição de Zelaya. Com o tempo, passou a se afastar do governo interino, de olho nas pesquisas que mostravam um rechaço a Roberto Micheletti e à expulsão do presidente deposto.
Com a briga interna dos liberais _Micheletti e Zelaya são do mesmo partido_, Pepe Lobo viajou em céu de brigadeiro durante a campanha eleitoral e assistiu de arquibancada o desgaste de seus adversários políticos. Resta ver, num futuro próximo, se essa mesma crise que o beneficiou eleitoralmente não inviabilizará seu eventual governo.
Saí do comicio deprimido.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 01h21
Breve análise dos próximos dias
Caros, um pequeno resumo da ópera neste podcast:
Escrito por Fabiano Maisonnave às 16h13
Um país militarizado

A presença ostensiva de militares não é privilégio das vizinhanças da embaixada brasileira. Desde que saí, me chamou a atenção a quantidade de soldados nos aeroportos e em diversos outros lugares públicos. Antes, a minha impressão é de que havia mais policiais do que tropas.
Hoje de manhã, sábado, muita gente que entrava no badalado shopping Multiplaza, um dos mais elegantes da cidade, levou um susto quando cerca de 20 militares entraram em formação no prédio. Mais um ataque a bomba?
Claro, fui atrás para ver o que era. O motivo era prosaico: todos haviam ido a um banco local receber o salário, formando uma fila enorme e fora do lugar no piso térreo (foto acima). Embora eles estavam desarmados, pelo menos três militares com enormes fuzis faziam a segurança dos colegas (foto abaixo, diante de uma loja de roupas infantis).
Alguém já disse certa vez que, quanto mais militares aparecem nas ruas, mais atrasado está o país. Se a regra for verdadeira...
PS: a qualidade de fotos não é boa porque o shopping só permite fazer imagens como autorização, regra que também costuma ocorrer no Brasil. Como se shopping já não fosse, há muito tempo, espaço público. Infelizmente, diga-se.


Escrito por Fabiano Maisonnave às 18h44
Repreçao ao espanhol em Honduras

Com o ramerrame da crise hondurenha nas últimas semanas, os comunicados de Manuel Zelaya deixaram de chamar a atenção menos pelo conteúdo repetitivo e mais pelos seguidos atentados cometidos contra a língua de Cervantes.
Até para mim, que não sou versado em espanhol, os erros saltam aos olhos. No comunicado da quarta-feira, lê-se, logo no início: "Millares de hondureños estamos bajo reprecion", quando o correto é represión. Se é possível traduzir o erro, seria o mesmo que escrever "repreçao".
O curioso é que, desde esta semana, os comunicados passaram a incluir "Presidencia de la Republica" e "Del Escritorio De Señor Presidente" (outro erro!! É "del Señor Presidente). O "escritório", claro, é a embaixada brasileira.
Para confirmar as minhas suspeitas, pedi que duas amigas conhecedoras do espanhol lessem o comunicado do dia 18 e uma carta enviada no início da semana ao presidente americano, Barack Obama. Yolanda Ojeda, calejada jornalista venezuelana, diz que sobram erros de sintaxe, concordância numeral e de acentuação e que não se padroniza o uso de caixa alta. Já Olguimar Cruz, experimentada tradutora porto-riquenha, diz que os textos "têm muita informação redundante. Repetem-se as ideias de forma parecida a um rascunho. Parece que Zelaya escreveu com pressa."
É claro que Zelaya não está nas condições mais favoráveis para produzir um bom texto. Há dois meses hoje na embaixada, tem apenas dois assessores ao seu lado, dos quais nenhum é jornalista. Mas não custa nada mandar por e-mail os textos a alguém de confiança antes de sua divulgação. Ainda mais quando o endereço do destinatário é a Casa Branca. Coitado do tradutor.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 18h28
O consulado brasileiro em Utila
Inaugurando a fase de fora da embaixada, este blog volta com um post de turismo. É que, depois dos dias de encerro, este escriba foi se recuperar em cantos mais agradáveis de Honduras: a pequena ilha caribenha de Utila. Praticamente desconhecida dos brasileiros, trata-se de um porção de terra a 29 km da costa com apenas 2.500 habitantes e 11 km de comprimento, toda cercada de corais. Ninguém vai ali em busca de praia. O negócio ali é mergulhar. Com menos infra que a vizinha Roatán, maior e controlada pelo turismo gringo, Utila se diferencia pelo custo baixo de seus cursos de mergulho, provavelmente os mais baratos do mundo. O treinamento básico, com certificado internacional, custa cerca de R$ 400 _em São Paulo, gira em torno dos R$ 1.000. Outra característica da ilha é que quase todos falam inglês como a primeira língua. Utila já pertenceu aos ingleses e ainda abriga vários descendentes que, misturados à população africana, reconstruíram a língua de Shakespeare numa versão mais cantada e quase incompreensível.

A combinação de preços baixos e inglês fez com que Utila se transformasse em destino obrigatório para mochileiros que cruzam a América Central. Nos dias em que estive lá, predominavam israelenses, escandinavos e irlandeses. Muitos acabam ficando, para trabalhar como instrutores nas escolas de mergulho ou nos bares da ilha.

Talvez pelo tanto de tempo na embaixada, tratei logo de encontrar uma bandeirinha brasileira. Encontrei na escola de mergulho Parrots Dive Center. Atrás dela, a simpática, atenciosa e competente Tatiana Jijon. Filha de uma cearense de Crateús com um diplomata equatoriano, ela é cidadão do mundo (fala cinco línguas), mas há 11 anos foi conhecer a ilha e nunca mais saiu _deixou para trás até o curso universitário em Paris. Melhor anfitriã, impossível.
Grávida de dois meses, está casada com Alfred, hondurenho de Utila que mais parece um pirata. Tocam juntos a escola há cerca de dois anos, atraindo principalmente mochileiros. Quase nenhum do Brasil, diz Tatiana _fui o primeiro com quem ela topou em sete meses.

Com um português um pouquinho enferrujado, Tatiana conta que a crise política tem provocado estragos na ilha: alguns bares e escolas já tiveram de fechar as portas. O melhor exemplo é a Sunjam, festa anual que costuma atrair cerca de 3.000 pessoas em agosto. Neste ano, apareceram apenas 900.
Mas eu não estava muito atrás de fazer reportagem, não. Fui à ilha para ignorar a crise. Por isso, me fiz acreditar que as dezenas e dezenas de bandeirinhas vermelhas e brancas do Partido Liberal (Utila também terá eleição para prefeito no dia 29) fossem na verdade uma versão local da bandeirinha que indica escolas e pontos de mergulho.
Micheletti e Zelaya, a partir dos próximos posts.

Partido Liberal

Bandeira de mergulho
Escrito por Fabiano Maisonnave às 12h31
Aviso aos navegantes
Este blog retornará na quinta-feira, dia 19. Até lá.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 18h16
De fora da embaixada
Meus caros, após 42 dias de banho frio e Coca-Cola quente, finalmente deixei a embaixada do Brasil ontem à tarde. Ainda não é o fim deste blog: depois de alguns dias de descanso, a ideia é continuar acompanhando a crise e as eleições em Honduras, só que do lado de fora. O mais provável é que eu retome o meu dever de informar vocês lá pelo dia 15, se não houver nenhuma emergência antes que faça interromper a minha folga. Claro está que a segunda cobertura não será do mesmo jeito.Quando eu entrei na embaixada, comecei um convívio intenso com duas novas turmas: se não estava com o pessoal de dentro da embaixada, me metia nesta nossa comunidade virtual em que todos já nos conhecemos mais ou menos bem. Este post é uma despedida da primeira patota. Como a minha saída foi um pouco apressada, não tive tempo para agradecer como deveria. Começo pelo Lineu, o "diretor da cadeia", que, com a serenidade estampada na pele, facilitou ao máximo o trabalho e a vida dos jornalistas. Apesar das diferenças de opinião que às vezes surgiam (e vocês as testemunharam aqui), todas estiveram dentro do marco do bom debate. Agradeço aos meus colegas Esteban, Carlos, Edgard, Adriana, Maria José, Rudy e Pedrosa pelo companheirismo e pela solidariedade acima de todas as adversidades. Se todos os alpinistas fossem como eles, ninguém morreria nas montanhas.
Agradeço aos compatriotas Francisco, Wilson e Sérgio por estarem sempre dispostos a ajudar do lado de fora e por contrabandearem cotonete, corta-unhas, papel higiênico, chiclete, sabonete, frutas, pasta de de dente, pomada e cigarros. Só faltou Playboy!
Agradeço a Ana Flor pela dupla dinâmica.
Agradeço aos moradores da embaixada por terem compartilhado suas histórias e outras informações, muitas delas recontadas aqui no blog.
Agradeço aos militares por terem me apresentado, numa madrugada, à minha nova musa, Paquita la del Barrio (como pude sobreviver até agora sem ela??).
Agradeço a Manuel Zelaya por ter sempre atendido aos pedidos de entrevista. Embora discorde de sua visão "Fla x Flu" sobre o papel da imprensa.
Agradeço às minhas fontes que apoiam Roberto Micheletti por terem autorizado e facilitado a minha entrada na embaixada, no já distante 25 de setembro. Embora ache que o acesso ao prédio deveria ser sem restrição aos jornalistas.
Não fui sequestrado pelas Farc durante anos nem estava cumprindo uma pena longa, mas o mundo mudou bastante nestas seis semanas. Quando entrei, ainda estava secando a Argentina para não ir à Copa e torcendo para Honduras voltar à Copa. Nenhum helicóptero havia sido derrubado pelo narcotráfico, e sediar as Olimpíadas ainda era uma ilusão. Mas o mais impressionante foi o Mengão ter pulado do oitavo lugar, atrás até do Avaí, para o G4 e para perto do título!
Uma noite bem dormida depois, a sensação é a de que todos esses dias foram um sonho, nem bom ou ruim, mas do tipo surreal, a la Buñuel. Aos que me perguntaram o que eu faria ao sair de la cárcel: 1) banho quente; 2) colocar roupas sem o cheiro da embaixada; 3) quatro shots de rum Zacapa, o melhor segredo da América Central; 4) dormir como uma pedra; 5) escrever este post.
Até de repente.

Da esquerda para a direita: o guardinha da plataforma, Edgard, Esteban, Pedrosa, Carlos e este servidor.

Entrevista na madrugada em que saiu o acordo, lá no fundo do quintal, o melhor lugar para falar ao celular. E deixem de ser maldosos, não tem bebida na embaixada.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 12h44
E o acordo está rompido
Exatamente uma semana depois de sua assinatura, Manuel Zelaya declarou hoje fracassado o acordo assinado na sexta-feira passada com o governo interino para viabilizar a sua restituição e avisou que não reconhecerá as eleições nacionais do dia 29, faltando apenas três semanas. O rompimento foi anunciado no começo da madrugada de hoje em Honduras (4h a menos do que Brasília), depois de terminado o prazo para a formação de um governo de unidade e reconciliação. Um novo gabinete chegou a ser anunciado unilateralmente por Roberto Micheletti em cadeia nacional de rádio e TV, mas sem nenhum reconhecimento pelo outro lado. O fracasso é consequência de um texto ambíguo, que dava a margem a vários tipos de interpretação, principalmente com relação à forma como seria instalado o governo de unidade. E o que parecia o maior êxito diplomático do governo Barack Obama na região está se transformando num grande fracasso. O acordo, lembre-se, foi intermediado por uma missão liderada por Thomas Shannon, o chefe diplomático dos EUA para a América Latina. E a Comissão de Verificação teve a presença da secretária de Trabalho, Hilda Solis, que aliás deixou Tegucigalpa antes do prazo final para a conformação do tal governo. Ao mesmo tempo em que a comunidade internacional fracassa sucessivas vezes para mediar o acordo (Costa Rica, OEA e agora EUA), internamente o impasse está aumentando bastante a tensão política, com o registro de três atentados a bomba nos últimos dias. E Honduras ainda terá de suportar a chegada da tormenta tropical Ida. Com a palavra, o Departamento de Estado.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 06h57
Micheletti inventa a reconciliação unilateral
Em cadeia obrigatória de rádio e TV a dez minutos para o fim do prazo, Roberto Micheletti anunciou que cumpriu o que foi acertado em Tegugicalpa/San José: nomeou um gabinete "representativo de amplo espectro ideológico e político de nosso país, cumprindo estritamente pela letra do acordo".
Só que o outro lado do pacto, o de Manuel Zelaya, não indicou ninguém.
O rompimento do acordo está por um fiozinho.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 04h20
A menos de duas horas, nada de acordo
A recém-terminada reunião de Manuel Zelaya com os representantes internacionais da Comissão de Verificação se resumiu em tentar convencer o presidente deposto a não abandonar o acordo assinado na sexta-feira.
Como se sabe, o cronograma aprovado previa um governo de unidade instalado ainda hoje. Obviamente, não há a menor possibilidade de isso acontecer.
No começo da noite, Roberto Michetti pediu a renúncia de seu gabinete e disse que esperaria os nomes de Zelaya para formar o governo de "unidade e reconciliação". Quem chefiaria o novo gabinete? Ele, Micheletti. Toda a torcida do Flamengo já sabia que Zelaya nem consideraria aceitar.
Falta saber se Zelaya cumprirá ou não a promessa de abandondar o acordo daqui a pouco, à meia-noite.
Já lhes conto.
PS: mal saiu a Comissão de Verificação, e o corneteiro já começou o seu concerto. Soava a troça.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 02h40
A corneta, de novo. Às 2h
Só passo aqui para registrar que o corneteiro militar atacou de madrugada, por uns 20 minutos. E a pergunta se repete: quem teria a coragem de fazer isso no ouvido de alguém que assumiria a Presidência.... hoje?
Escrito por Fabiano Maisonnave às 14h44
O 5º dia D da crise hondurenha
Hoje, como se sabe, termina o prazo para "conformação e instalação do governo de unidade e reconciliação nacional" previsto no acordo assinado na sexta-feira. O que ninguém adivinha ainda é o que vai acontecer nas próximas horas. O cenário mais provável é a criação de um governo sem a Presidência nem de Manuel Zelaya nem de Roberto Micheletti, que renunciaria hoje em caso de um acordo. Mas o presidente deposto quer garantias de que seria apenas uma transição até que ele seja restituído, algo difícil no atual andar da carruagem. Existe ainda o risco de que Zelaya, sem ter garantias de ser restituído em breve, cumpra a ameaça de romper com o acordo, voltando tudo à estaca zero. E há a possibilidade mais remota de todas: que o Congresso finalmente se reúna para votar sobre a sua restituição. Mas até ontem à noite, não havia nenhum sinal de que haveria uma convocatória. Claro está que os dois lados podem também concordar em atrasar o prazo final para a instalação do governo de conciliação. Porque, como bem diz o José Simão, esta é a crise do ultimato, do penultimato, do antepenultimato....
Escrito por Fabiano Maisonnave às 02h57
Parcial da enquete
Com (apenas) 138 votos até as 23h30 (horário de Brasília), os que não acreditam na restituição de Manuel Zelaya somam 103 votos (75%), contra apenas 35 leitores (25%) que apostam na volta do presidente deposto.
A enquete continuará até a véspera da votação no Congresso. Quem ainda não participou, clique aqui.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 23h37
Embaixada ganha novo despertador
Aconteceu ontem e aconteceu hoje: lá por volta das 5h50, um pelotão de militares passa trotando na frente da embaixada cantando o equivalente hondurenho do "um-dois, feijão com arroz". E todo mundo acorda, claro.
Repito a pergunta da corneta: quem faria isso com alguém que se tornaria presidente.... amanhã?
Escrito por Fabiano Maisonnave às 15h22
EUA marcam distância de Zelaya

Desculpem-me o chavão, mas não há outra forma para deixar mais claro: caiu como uma bomba atômica aqui na embaixada a entrevista de Thomas Shannon à emissora CNN En Español.
O chefe da diplomacia americana para a América Latina deu completa razão a Roberto Micheletti na feroz disputa de interpretação dos últimos dias com Manuel Zelaya sobre o documento assinado na sexta-feira.
Shannon diz que Zelaya está errado ao exigir que o Congresso vote pela sua restituição antes de amanhã, data estipulada pelo acordo para a conformação de um governo de unidade nacional. E respalda a posição de Micheletti, de que não há prazo para votar a sua restituição, mas sim para implantar o novo governo.
"No acordo, o governo de unidade nacional é à parte da restituição", disse Shannon.
Outro revés para Zelaya: o diplomata americano disse que a assinatura do acordo já é suficiente para que os EUA acompanhem e reconheçam as eleições do dia 29, independentemente de sua implantação. Lembre-se de que Washington já começou a levantar sanções contra Honduras _ontem, reabriu seu serviço consular em Tegucigalpa
O Brasil e outros países da região ainda não se pronunciaram, mas, pelas posições tomadas até agora, não acompanharão Shannon. É pouco para Zelaya: aqui, o que dizem os Estados Unidos vale mais que a de todos os demais países somados.
O presidente deposto emitiu uma nota pedindo "esclarecimentos" a Shannon sobre o fato de americano ter dito que Washington já reconhece o processo eleitoral antes mesmo de o acordo ter sido implementado. Por telefone, falou com o diplomata americano, quando, segundo Zelaya, Shannon alegou ter sido "mal interpretado".
Zelaya já havia recuado agora à noite de exigir a sua restituição até amanhã. Pouco antes das declarações de Shannon, em reunião com o ex-presidente Ricardo Lagos e a secretária de Trabalho de Obama, Hilda Solis, o presidente deposto admitiu pela primeira vez um governo de unidade sem a sua participação, mas com Micheletti fora. Assinantes da Folha podem ler a reportagem aqui; para os demais, é preciso buscar a versão digital digital na Folha Online.
A nova fórmula teria de passar por uma mudança no artigo 20 da Lei de Administração Pública de Honduras, já que esse governo de unidade não seria presidido por um presidente, como rege a lei atual, mas pelo ministro de Governo.
Zelaya diz que essa fórmula só será aceita por ele caso o Congresso marque também a votação para sua restituição. Ou seja, esse governo de unidade nacional seria provisório até a sua reinstalação _tudo isso, lembre-se, para terminar o seu mandato daqui a menos de três meses, em 27 de janeiro.
As declarações de Shannon são um revés profundo para Zelaya, que vinha apostando na pressão americana para a sua restituição. Errou o cálculo.
Se já não estava claro na redação do acordo (feita pelos EUA), Shannon tirou todas as dúvidas: para Washington, o acordo é uma coisa, e a restituição é outra.
PS: a foto acima é de agora há pouco, quando Zelaya conversou com os jornalistas sobre as declarações de Shannon.
Escrito por Fabiano Maisonnave às 05h14

